Cai qualidade das águas dos rios da cidade

21/11/2008

Os dados do Índice de Qualidade da Água (IQA), que serão divulgados hoje, revelam o agravamento da poluição dos rios urbanos de Londrina. "De uma forma geral, os resultados mostram que a qualidade da água dos rios piorou", afirma o presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma), Fernando de Barros.

O IQA é realizado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Consemma, Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal). Os resultados, indicando os pontos mais críticos de poluição, serão apresentados hoje pelo professor do Centro de Tecnologia e Urbanismo da UEL, Nelson Amanthea, no VIII Encontro dos Conselhos Municipais do Meio Ambiente do Interior do Paraná.

O projeto de monitoramento já sistematizou os resultados de cinco coletas de água feitas entre julho de 2007 e outubro de 2008 por técnicos do IAP em 37 pontos das maiores bacias hidrográficas do município - nos ribeirões e afluentes do Jacutinga, Lindóia, Cafezal e Cambé. "Houve uma piora que sinaliza a necessidade de fazer um processo permanente de investigação das causas dos problemas", ressalta Amanthea.

Um dos vilões, apontam os dados, é a Estação de Tratamento de Esgoto da Zona Sul (ETE - SUL), da Sanepar. A situação do Ribeirão Cambé chama a atenção de Amanthea e Barros, responsáveis pela interpretação e análise qualitativa dos dados. O ribeirão é considerado de classe 1 quando forma os lagos igapós e cruza o Parque Municipal Arthur Thomas e se torna classe 2 até desembocar no Rio Tibagi. A classe indica a prioridade da preservação.

Para os especialistas, o ponto mais crítico de todas as coletas está no trecho após ETE - SUL, local em que o ribeirão recebe os efluentes do tratamento do esgoto de toda a região central e sul da cidade. "Fica evidente que a estação está contribuindo seriamente para a piora da qualidade da água, porque há um estouro de todos os parâmetros, muito acima do aceitável", revela o professor.

Em ponto anterior a ETE-Sul, a primeira coleta, realizada em 24 de julho de 2007, indiciou um IQA de 69,40 pontos, enquanto após a ETE SUL, o IQA caiu pela metade, no valor de 30,79. Na mais recente coleta, realizada em 21 de agosto deste ano, antes da ETE-Sul, o IQA piorou para 50,04. No ponto logo após a ETE-Sul o índice ficou em 25,89, o mais baixo índice de qualidade da água entre pontos analisados.

Sanepar planeja novo tratamento

O gerente regional da Sanepar, Sérgio Balhs, alegou que, de acordo com as análises de água feitas pela Sanepar, o problema não está na estação e sim em toda a bacia. Questionado sobre a presença de coliformes fecais, entre outros parâmetros, disse que "as estações não foram projetadas para eliminar os coliformes, o que seria realizado por um tratamento terciário". "Se fizermos a comparação do IQA, a qualidade do rio piorou, mas não por causa da estação, que não é contemplada para eliminar o coliforme fecal", diz. Para ele, os padrões da legislação são "de primeiro mundo", mas "o tratamento tinha outra concepção do passado e a estrutura existente não foi projetada para atender a esses padrões de primeiro mundo".

Para o sistema de tratamento terciário, que conseguiria eliminar os coliformes da água, Balhs afirmou que está sendo feito um projeto na Sanepar, mas não é possível fazer previsões de quando será implantado.

Estudo pode ser consultado na internet

A partir de hoje, um sistema de informação geográfica (SIG) informatizado, que cruza extensa base de dados com mapas, fotografias de satélite, relatórios e gráficos dos resultados do IQA, está disponível na internet. Com o sistema, qualquer interessado pode acessar e monitorar os resultados do IQA nos endereços www.tisolution.com, no link "geoambiental", e www.ceal-londrina.com.br . Basta navegar pelo site e escolher o ponto de coleta para saber como está a qualidade da água dos rios urbanos de Londrina.

A pedido do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), a empresa TI Solution começou a desenvolver o sistema, no final do ano passado. Um extenso banco de mapas cedido pelo Instituto de Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) com as divisões por bacias hidrográficas e as fotografias do satélite Quickbird georeferenciadas foram organizadas e digitalizadas no sistema online.

"O sistema permite o gerenciamento dos dados das análises coletadas e contribui para acelerar o processo de tomada de decisões das autoridades", explica o engenheiro Fabiano Furlan, sócio-diretor da empresa e especializado em saneamento ambiental.

Saiba como é composto o IQA

O valor do IQA é resultado de uma fórmula definida pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), que integra diversas variáveis, parâmetros como a presença de coliformes fecais, nitrogênio, fósforo, turbidez e DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio). O professor Nelson Amanthea compara os resultados do IQA com os níveis permitidos pela legislação e explica que, conforme a média dos resultados do IQA antes da estação, a qualidade da água do Ribeirão Cambé está relativamente "boa". No entanto, após a estação, a escala ficou classificada como ruim nas cinco coletas realizadas.

Coliformes passam de 160 mil para 2,8 milhões

Na mais recente coleta, o índice de coliformes, que indica a presença de microorganismos patogênicos, antes da estação de tratamento já estava acima dos níveis permitidos, num total de 160 mil unidades por 100 ml. Após a estação, a presença dos coliformes saltou drasticamente para 2,8 milhões por 100 ml de líquido coletado. "Os coliformes totais passaram de 160 mil por unidade para 17 milhões após a estação, além de ter estourado outros parâmetros, como o fósforo e o nitrogênio, que causam a eutrofização da água", disse o professor. A eutrofização é um processo de proliferação de algas com a diminuição do oxigênio, que causa a morte do rio.

http://portal.rpc.com.br/jl/edicaododia/conteudo.phtml?tl=1&id=830183&tit=Cai-qualidade-das-aguas-dos-rios-da-cidade


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